Conheça um pouco da história do Poeta Cantador Cícero da Silva

IMG_3398

“A poesia nem se aprende nem se ensina, se nasce com ela, e eu já nasci poeta”.

O Poeta Cícero da Silva Alves, ou somente Cícero da Silva, nasceu na cidade de Exu-PE, mais especificamente no sítio Barracão, no dia 20/04/1995. Filho de Maria de Lourdes da Silva Alves e Antônio Soares Alves, representa hoje com muita maestria a nova geração de cantadores repentistas no cariri cearense.

Desde muito cedo o Cícero já se mostrava grande admirador da poesia improvisada. Aos 10 anos de idade tinha como costume ouvir os programas dos cantadores nas rádios de Juazeiro do Norte, programas esses que o poeta faz questão de lembrar que iniciavam-se às quatro horas da tarde e se estendiam até as sete horas da noite, iniciando com o poeta Silvio Grangeiro e finalizando com o poeta Moacir Carneiro.

Aos 13 anos de idade assistiu uma apresentação ligada a poesia na escola em que cursava o Ensino Fundamental e sentiu-se encorajado a preparar também alguns versos, informando à professora que iria escrever alguns e apresentá-los na escola. Ao chegar em casa contou empolgado para sua avó que iria apresentar no dia seguinte alguns versos de sua autoria na escola, e a mesma lhe disse que: “isso é pra quem tem cabeça”. Após isso, instigado, o Cícero relata: “pedi a viola do meu então vizinho Moacir Carneiro e levei para a escola, chegando lá não sabia nem pegar na viola, num sabia nem onde colocava os dedos, pra poder tocar o baião, e comecei a dizer versos gritando, versos não, berros! E rimava ‘criança’ com ‘adianta’ e tudo, fui muito vaiado e começaram a me chamar de Cícero louco. Então eu rapidamente parei, vi que aquilo não dava para mim“.

Pouco tempo depois, concluiu que aquele episódio não o faria desistir de ser cantador. Conta que nesse momento a poesia estava querendo desabrochar dentro dele, pois o poeta nasce poeta, e se nasce com este dom, uma hora ela desabrochará. Foi então que comprou um CD dos poetas Sebastião da Silva e Valdir Telles e passou a ouvi-lo todos os dias. Aproximadamente 15 dias após a compra do CD, Cícero já se encontrava fazendo suas primeiras sextilhas. “Foi quando a minha vó me viu cantando, se admirou, e disse: ‘mas num é que esse menino canta? Meu Deus, esse menino tudo inventa’. E a partir das sextilhas fui desenvolvendo outras modalidades”.

Revela que seu grande expoente na cantoria sempre foi o poeta Pedro Bandeira, no qual teve a oportunidade de assistir muitas apresentações e receber dicas de como montar estrofes dentro de determinadas regras. Além dele o poeta Moacir Carneiro também lhe conduziu a aprendizagens específicas da prática de cantador.

Atualmente Cícero da Silva não faz da cantoria sua profissão, pois encontra-se residindo no Seminário Diocesano do Crato em preparação para a vida sacerdotal, dedicando-se aos estudos de Filosofia e à pastoral de sua diocese.
Esta vida de seminarista, e de futuro presbítero, não me permite que eu viva, e que eu dependa, particularmente da cantoria, pois a vida de um seminarista e de um padre é muito corrida com os estudos, com a pastoral e com o cuidado dos fiéis. Mas claro que ao vir para o seminário eu não deixei de ser poeta, melhor dizendo, eu melhorei o meu dom e ganhei mais práticas, pois o conhecimento da filosofia pôde deixar que a minha mente se abrisse mais ainda para este dom de cantar“.
Revela que por vezes recepciona importantes visitas que chegam ao seminário com cantorias e que faz dessa relação algo muito particular com seu trabalho de evangelização. Além do mais não é sempre que se encontra um seminarista repentista.

Cícero da Silva conta-nos que para ser um bom repentista é preciso ter conhecimento, para ele “um poeta sem conhecimento é como uma vela apagada“. Hoje, segundo ele, os poeta possuem certa vantagem nesse quesito por terem a tecnologia a seu favor e se abastecerem, sempre que quiserem, de informações, enquanto os poetas mais antigos não tinham essa mesma facilidade, fazendo um paralelo com as cantorias de hoje em relação as cantorias de algumas décadas atrás.

Conta ainda que é na Zona Urbana que hoje há maior valorização das cantorias, mas que não reclusa a presença da mesma também na zona rural. Para ele, isso se dá pela profissionalização da arte do repente, uma vez que boa parte dos shows são fechados com contratos e tem seus cachês previamente adiantados, além da própria divulgação que há.

Considera ser muito importante o tratamento da cultura popular nas escolas, principalmente nesse momento em que as tecnologias adentraram de forma massiva dentro do cotidiano dos jovens e que, segundo ele, faz ofuscar a prática das culturas populares. “Acho que se a cantoria hoje fosse planejada a ser distribuída nas escolas, esses jovens teriam mais culturas e seriam mais conhecedores dessa cultura tão bonita que é a arte do repente“.

Cícero da Silva possui atualmente um CD que foi gravado em 2016 ao lado do poeta Zé Joel, titulado “Por quê sou Católico”, e alguns cordéis de sua autoria. Além disso traz na bagagem algumas premiações quando estava no ensino fundamental e médio.

Finaliza a entrevista dizendo que gostaria que a cantoria fosse mais valorizada e divulgada em redes nacionais, pois se assim fosse, teria a certeza que ela [a cantoria] estaria exposta numa categoria de destaque. E conclui dizendo que faz da sua vida uma verdadeira relação com a poesia e sua vida de seminarista, atrelando tudo isso da forma a enriquecer uma na outra.

IMG_3415

(A entrevista aconteceu no dia 05/04/2018 no seminário diocesano São José, em Crato – CE, para o projeto De Repente em Ação).

Contato do Poeta para Shows: (88)99983.6245

css.php